Saturday, January 27, 2007

Frase da semana

"É dinheiro público na veia."

Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil, sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado na última segunda-feira.

Sunday, January 21, 2007

Philosophical football match

Pra fazer inveja...


Essa foto está em uma das paredes do meu cubículo parisiense. Ela me foi enviada pelo meu tio-guru Leonel Brayner, pintor de mão cheíssima, radicado em Salvador. Graças a seu trânsito livre entre o filé da intelectualidade carioca, ele de vez em quando me aparece com esses tesouros... Não posso deixar de destacar dois detalhes geniais da foto: os óculos escuros do Vinícius e a indefectível brancura dos cabelos de Dorival Caymmi.

Decepção italiana


Sinto que joguei meu fim de domingo no lixo depois de ter despencado lá pras imediações da République, uma espécie de Praça do Lido parisiense, apenas para ver o novo filme do Nanni Moretti. Não tão novo assim, porque estreou na Europa no início do ano. Mas tenho a impressão de que não entrou ainda em cartaz no Brasil. Me corrijam se eu estiver errado...
Enfim, com "Il Caimano" (cartaz ao lado), Moretti -responsável pela direção dos ótimos Aprile, Caro Diário e o Quarto do Filho - perdeu alguns pontos no meu conceito. Poderia ter feito um filmaço sobre a ascensão de Silvio Berlusconi, por um viés humorístico e satírico. Porém, enrolado num roteiro muito fraco, ele parece ter jogado a toalha ao ver que não conseguiria "tenir le coup", como diriam os franceses.
Antes das eleições parlamentares deste ano, boa parte do eleitorado anti-Berlusconi via no "Il Caimano" a oportunidade de afastar de vez do poder o detestável "cavaliere". No entanto, o impacto do filme sobre a opinião pública foi mínimo. Moretti, que milita pelo partido de centro-esquerda "L´Ulivo", foi ridicularizado. E a coalizão de Romano Prodi, apoiada pelo diretor-militante, ganhou por muito pouco.
Apesar de ter lido estas notícias com atenção na época, achei que pudesse ser exagero dos exagerados italianos. "O filme não deve ser tão ruim assim", pensei. Entre Canavaro e Baggio, Moretti escolheu o segundo. Chutou bem longe e acabou perdendo o gol.

O gênio uruguaio

Ontem terminei de ler este livro do escritor uruguaio Mario Benedetti, que havia comprado em Barcelona, no mês passado. Pra quem nunca ouviu falar, trata-se de uma coleção dos contos mais representativos de Benedetti, dividos em dois atos. "Esta mañana" (1949), escrito durante a juventude, parece ser mais experimental. Nos contos desta primeira parte, Benedetti desenvolve uma técnica narrativa ousada, com uma economia de palavras fantástica, que o permite fazer "misérias" em apenas 3 páginas!
Em "Montevideanos", Benedetti está mais maduro - o último conto foi escrito em 1961 - e com uma identidade mais definida. Com uma ironia sutil e inteligente, ele traça um retrato perfeito da classe-média montevideana dos anos 50, período em que o Uruguai - a "Suíça latino-americana" - viveu seu milagre econômico. Alguns cenários se repetem, como as repartições públicas, a avenida 18 de Julio, as casas do bairro aristocrata de Carrasco...
Uma surpresa sensacional, já que, do Benedetti, eu só tinha lido os poemas mais engajados, principalmente aqueles que depois foram musicados pelo compositor catalão - e meu xará! - Joan Manuel Serrat. Apesar de ser conhecido como um ícone da esquerda latino-americana, Mario Benedetti foi mais genial como contista do que como militante, pelo pude perceber nesse livro. Ele também escreveu romances, como "La Tregua" e "Gracias por el fuego", que estão na minha lista de compras pra próxima viagem à Espanha. Se algum dos meus 5 leitores já leu algo mais do Benedetti, peço que deixe um comentário...